Pensando melhor, é melhor pensar em mim como uma coisa mais vívida que uma bomba. Que tal um ovo? Sou então um ovo, sendo minha face a casca, meu sangue a clara, e minha alma o embrião de um passarinho. Meu sangue nutre meu espírito, assim como a clara vai nutrindo o pássaro até ela ficar escassa e ele se formar. E aí chega o momento das bicadas. O pássaro bica a casca, ansioso por liberdade. Não consegue ficar preso ali, pois sabe que existe para voar livre. Assim é meu espírito. Ele me bica, gritando e me causando dor, com todo esse desejo de sair por aí sem que ninguém o imponha limite. Ele quer conhecer o mundo. Ele quer viver experiências. Ele não quer ficar quieto no seu canto como as vezes eu cruelmente o imponho.

E aí chegará o dia em que a casca será furada, ou a bomba será implodida. Será esse o dia em que viverei dentro das minhas próprias linhas de limite. O dia da minha auto anarquia. O dia em que o "foda-se" será ligado para aqueles que me disserem que eu não posso ser feliz ao meu modo. Se ainda quiserem se despedir do meu antigo eu, juntem os pedaços da casca (ou os restos de papel da bomba) e atirem seus restos mortais no mar. Sem nem tentar grudá-los de volta, pois não vai adiantar. Esse meu eu morrerá.